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Atenas Grécia
Os moradores de Atenas adoram contar a história da
fundação da cidade. E quem não teria orgulho? Segundo a mitologia, a
deusa da sabedoria, Atenas, e o deus do mar, Poseidon, queriam ser os
patronos da vila que acabara de nascer. Os habitantes do lugar resolveram,
então, promover uma disputa entre eles: o deus que oferecesse o melhor
presente daria nome ao local.
Poseidon, então, cravou seu tridente sobre uma rocha
da Acrópole e fez sair um manancial de água salgada e quatro cavalos. Se
os moradores aceitassem sua oferta, a cidade se chamaria Poseidônia e
seria a maior potência à beira-mar do mundo. Atenas, por sua vez, semeou
uma oliveira, presente que simbolizava a paz e a sabedoria. E venceu a
disputa. Hoje, a cidade que escolheu a paz tem 4 milhões de habitantes e
toda a história da humanidade para contar. Tem, também, uma faceta
moderna, à altura de qualquer capital européia.
Um bom começo para conhecer o outro lado ateniense é
a Praça Syntagma, no centro da cidade. Lá está o Parlamento grego,
prédio construído entre 1836 e 1842 e usado como residência real até
1935. Ali perto, na rua da Universidade, podem ser vistos edifícios do
século passado, algo recente se levado em conta o passado milenar.
Destaque para a Academia, erguida em 1859 e que tem na fachada duas
estátuas, de Apolo e de Atenas.
No lado de baixo da praça da Constituição e aos pés
da Acrópole, está Plaka, provavelmente o bairro mais famoso de Atenas.
Suas ladeiras estreitas se enchem de turistas dia e noite atrás de seus
bares e discotecas. Há também vários restaurantes onde é possível
provar um pouco da culinária grega. Para ficar só no trivial, vale
arriscar uma moussaka, tipo de lasanha de berinjela, ou a salada grega,
com tomates, azeitonas e queijo feta. Para acompanhar, um vinho grego ou o
ouzo, um tipo de aguardente feito de casca de uva e aromatizado com anis.
A região em que hoje está situada Atenas é habitada
desde 3 mil anos antes de Cristo. Diz a lenda que foi fundada pelo rei
Kékrops, cujo descendente, Erecteo, construiu seu palácio na colina mais
alta da cidade - a Acrópole -, a 156 metros de altura. Com o fim da
monarquia, em 1100 a.C., a construção foi transformada em templos
dedicados à deusa Atenas e virou local de peregrinação.
Esses templos foram destruídos durante a invasão
persa, em 480 a.C. Algumas peças foram salvas e estão expostas no Museu
da Acrópole, que vale uma visita demorada. O fim da guerra contra a
Pérsia marcou o renascimento da Grécia. É o século 5 a.C., conhecido
como período de ouro, quando Atenas se transformou no centro cultural
grego. A era marca, também, o renascimento da Acrópole.
Péricles, já no poder, concebeu a construção de
novos templos na colina, criando um altar à beleza. Nasceu o Partenon,
uma oferenda à deusa Atenea Partenos - ou Atenas Virgem -, considerado,
até hoje, o prédio mais perfeito já concebido pelo homem. O pai da
arquitetura moderna, Le Corbusier, chamou-o de "impiedosamente
impecável".
O impressionante é que o templo foi erguido em apenas
nove anos, entre 447 e 438 a.C., por trabalhadores livres. Construído em
mármore branco e estilo dórico, suas colunas têm 10,43 metros de
altura. Dentro do Partenon havia uma estátua de Atenea Partenos de 12
metros de altura e 1.200 quilos de ouro, que acabou saqueada.
A colina seguiu profanada por séculos. Seus prédios
foram transformados em igrejas ortodoxas pelos bizantinos e até em
templos católicos pelos cruzados franceses. Durante a ocupação turca,
que durou quatro séculos, o Partenon virou uma mesquita. Conhecer a
Acrópole é visitar todas essas histórias, respirar o passado e entender
o motivo de tanta cobiça. O templo está em restauração há pelo menos
30 anos. Segundo especialistas, outros 20 anos ainda deverão ser
consumidos.
Ainda na região podem ser visitadas as ruínas do
Teatro Dionísio, construído entre 342 e 326 a.C., com capacidade para 17
mil espectadores. Repare no templo de Zeus Olímpico, obra iniciada por
Peisistrato, em 530 a.C., e concluída por Adriano, no século 2 d.C. Com
104 colunas, era considerado o maior templo da Europa - apenas 15 delas
estão de pé.
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